O desejo de ser mãe significa colocar em risco a saúde da gestante e do bebê? A inseminação caseira seria uma opção aos tratamentos particulares ou aqueles ofertados pelo SUS? A questão aqui é de saúde pública. O tema foi recentemente abordado no podcast Rádio Novelo Apresenta, durante o podcast Posteridade.
É algo que acontece na informalidade, à mercê de doenças e de ISTs, e o pior: criando um vínculo e conhecendo o doador, abrindo brechas para o requerimento de paternidade, tanto da criança como do próprio doador. Você pode acompanhar o desdobramento desse assunto que realizamos em parceria com o Ostera. Pontos importantes a serem considerados:
- Risco de contaminação da paciente por ISTs;
- Riscos legais de disputa pela custódia da criança;
- Impossibilidade de registro da criança, no caso da união homoafetiva;
- Requerimento de paternidade, tanto da criança como do próprio doador;
- Sem respaldo pela medicina e pelos órgãos públicos;
- Pela falta de controle, existe a possibilidade de que as crianças descendentes do mesmo doador se relacionem no futuro, podendo haver consanguinidade no futuro;
- A doação não anônima vai contra as regras do Conselho Federal de Medicina;
- Exposição a uma situação de risco de assédio sexual, psicológico entre outros que podem ocorrer durante a vida dessas crianças e mulheres.
Durante a história contada no Podcast, o casal de mulheres escolheu um doador que relata ter em seu currículo mais de uma centena de crianças, sem controle algum populacional. O doador recebe as tentantes em sua própria casa e conta com o auxílio da sua esposa para levar o material genético para as futuras mães.
Situações como essa colocam mulheres em risco, não apenas falando de doenças, mas da própria violência sexual, pois como é algo que acontece na informalidade, não existe um controle pelas autoridades.
Em julho do ano passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) publicou um texto alertando sobre os riscos da inseminação caseira. Segundo o órgão, qualquer material biológico de terceiros requer avaliação antes de ser introduzido em outra pessoa. Além disso, a exposição ao ambiente também deve ser considerada, já que no método o esperma fica em contato com o ambiente externo e com os micro-organismos do ar durante alguns momentos.
É preciso entender o que leva essas mulheres a se colocarem em risco. Na maioria das vezes é por dificuldade de acesso aos tratamentos de reprodução assistida, que ainda são caros ou quando ofertados pelo SUS, não contemplam toda a população.
É preciso políticas públicas para aumentar o acesso da população aos tratamentos de reprodução assistida e, assim, proporcionar a realização do sonho da parentalidade de forma segura.